sexta-feira, 8 de julho de 2011

069: Inspirações Xamânicas para o nosso Cotidiano

VIDA: RELAÇÕES E AUTOSUPER(COR)AÇÃO



Ele passava por uma semana de poucas falas, mas de muita presença em seu desenvolvimento. Mantinha o silêncio como um instrumento mágico, poucos gestos e muito coração. Parecia um urso hibernando seus inovadores sonhos, parecia esperar a semente germinar e criar raízes. Enquanto suas formas esperavam, enraizava seus pensamentos nas preces ancestrais.

Sua amiga o visitou no espaço sagrado, uma buscadora que se sentia perdido na história. Sua vida representava um maremoto de mudanças, aqui e ali, família e negócio, fé e idéias, tempos e tempos. Era uma alma antiga, que há muito se esforçava para trazer a força do espírito para o corpo das ações. Chegou cedo com seu jeito, conhecia os ritos daqueles que pouco falava e muito ensinavam. Sentou a seu lado, ele nem se mexeu. Ficou ali meditando, aguardando seu despertar.

Quando o ancião abre os olhos, ela desaba num choro como nunca antes compartilhado. Parecia que as lágrimas gritavam seu cansaço, sua angustia, seu desespero contido na procura por uma saída. O corpo da jovem se mostrava com pouca vitalidade, como se estivesse sido sugada e a alma se colocara pequena diante dos monstros que ela permitira e criara. Cheio de compaixão o ancião olhou para a jovem e disse:

“Sabedoria só se conquista quando a consciência segue as pistas do amor. Compreendo suas dores, as da alma e as do corpo, estou vivo também passo por isso, sou seu amigo. Talvez procure mais do que isso, mas eu só posso compartilhar a medicina que em mim caminhou. Eu passo por isso e deixo que isso passe, não sou passado por isso como um rolo compressor. Eu deixo que o passado passe e fico com o presente do amor. Por favor, chegue mais perto”.

Ele deu um abraço afetuoso na jovem, como um pai a abraçar sua filha e continuou: “Lembra quando queria tocar as estrelas com sua mão? Lembra quando se sentia sozinha no mundo e pensava que o mundo não a compreendia? Lembra das vozes que ouvia e apaziguava sua saudade de outros lugares que sabia existia não apenas no seu coração? Existem momentos em que perguntas são importantes, outros que um pequeno gesto constrói uma imensa ponte. Este momento minha querida é o seu momento de deixar fluir as águas que correm e transbordam pelos olhos que enxergam a vida”.

Ela suspirou como se uma energia de acolhimento sacudisse todas as células de seu corpo. Seus olhos pareciam cachoeira lavando a alma, suas barreiras e crenças que chegou o momento de se tornarem passageiras. “Neste dia, minha linda!”, falou o ancião com carinho peculiar, “Sou apenas abraço, as margens ou o leito do rio. Mas lembre-se sempre: Quando nos entendemos nos reconhecemos, vivenciamos o que somos. Então podemos embarcar com coragem nos verdadeiros sonhos, o frio do inverno da alma vai passando para sentirmos o calor de um sonho compartilhando”.

Viver é uma experiência enriquecedora. Vivenciar a autosuperação é ajudar a desvelar o poder do coração. Viver é sonhar o sonho misterioso, com seus gostos e desgostos, mas sempre se conectando com o Espírito amoroso.

Amigo, que você tenha uma boa vida!

Mitakuye Oyasin!
“Por todas as nossas relações!”

Série: 365 Inspirações Xamânicas para o nosso Cotidiano
Autor: Samuel Souza de Paula
Crédito da Imagem: Massacre at Wounded Knee – Ba-Ta-Dee
Site: www.espiritualidadenatural.blogspot.com

3 comentários:

Crys disse...

INCRIVEL....

Crys disse...

MUITO INCRIVEL...SEM PALAVRAS

Samuel Souza de Paula disse...

Olá Crys,
Gratidão pelo carinho...
Muita paz, energia, amor e alegrias em sua vida!