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segunda-feira, 3 de junho de 2013

COMO AUMENTAR MINHA ENERGIA?


COMO AUMENTAR MINHA ENERGIA?

                                                                                 Samuel Souza de Paula

Quem já não sentiu exausto depois de um dia de trabalho? Ou precisando de algo que trouxesse de volta sua vitalidade? Recentemente recebi um email solicitando “dicas simples de como aumentar a energia”. Fiquei contente que ela tenha frisado “dicas simples”, desta forma podemos juntar simplicidade e síntese em apenas uma página. Espero que, neste momento, você tenha energia suficiente para lê-la.

Quando eu era criança os adultos recomendavam comer determinados alimentos para que eu ficasse forte, saudável, cheio de energia. “Isto mesmo Samuel, come tudo!”, diziam, “Você vai ficar forte como um touro!” Aprendi que a alimentação pode influenciar no meu estado de ânimo, na minha energia. Lembro até hoje de algumas recomendações, por exemplo, alimentar-se levemente de três em três horas, da citação “Tome o café como um rei, almoce como um príncipe e jante como um faquir, você parece um indiano mesmo!” e da minha mãe com sua receita infalível: banana, aveia e mel.

Na adolescência em contato com vários centros espiritualistas recomendavam trabalhar os vórtices de energia, os chacras, presentes em nossa anatomia sutil. “Muito bem Samuel, mantenha a disciplina. Sua aura está vibrando em alta frequência.” Aprendi que a movimentação das bioenergias, com consciência, intenção, pode fazer uma grande diferença, principalmente nos momentos de crises ou dificuldades. Durante anos mantive a regularidade de pulsar luz por alguns minutos, todos os dias, nas respectivas sete regiões principais de ativação dos chacras. Como esclarecimento quero dizer que “Bioenergia” é a junção do prefixo “bio”, do grego BIOS, que significa “vida” com “energia”, também do grego ENÉRGEIA, que significa atividade ou movimento. Podemos dizer que práticas semelhantes estão facilitando o movimento de forças positivas em nosso campo energético, ou seja, movimentando, energizando nossa vida.

Certo dia, já faz alguns anos, após 13 horas de trabalho administrativo um amigo recomendou que eu recarregasse minhas baterias junto a Natureza. “Cara, vá ver o mar, tomar banho de cachoeira, ficar um pouco nas montanhas, renovar suas energias.” É provável, que você também já tenha escutado conselhos semelhantes. Aprendi que o contato com ambientes belos e naturais cria conexões, uma espécie de lembrança energética que meus olhos e corpo respondem apaixonadamente como se fosse um dejá-vu, amor à segunda vista. É importante dizer que este “namoro” com a Natureza pode ser potencializado com o descanso, o “fazer nada, nadinha da Silva!” e o beber líquido. Naquela época, inspirado até pelas pesquisas do Dr. Massaru Emoto, comecei a beber as qualidades que precisava. Reservei uma jarra com água e escrevi “Calma”, deixei descansar permitindo a ação daquela intenção junto às moléculas. Pela manhã, servia um copo com água e bebia algumas “doses de calma”. Faz um bem danado. Já que falamos de água, outra recomendação para aumentar a vitalidade, alguns falam que é para corajosos, principalmente em dias de baixa temperatura, é alterar banhos quentes e frios. O melhor é que funciona.

Para concluir este pequeno texto com recomendações simples, não posso deixar de citar, e muitos vão concordar, que existe um poder de reenergização no dormir, no repouso, no cultivar pensamentos positivos, prazerosos, no estar com pessoas que ama e que se amam. E então vem a última dica de hoje, dê um tempo a si mesmo. Dê amor a si mesmo, talvez com uma prática respiratória. Inspirando amor e expirando luz. Muita energia!


Se você gostou deste texto compartilhe com os amigos. Acaso deseja participar de vivências relacionadas ao tema, encaminhar alguma questão, críticas ou sugestões. Envie para samuelsouzadepaula@yahoo.com.br


quarta-feira, 10 de abril de 2013

Tatanka Iotake - Samuel Souza de Paula


Tatanka Iotake


- Samuel Souza de Paula -

Exatamente no momento como este onde posso influir nas minhas escolhas e mudar o rumo dos pensamentos, sensações e sintonia, escuto uma voz espiritual.

Uma voz que parece soprar vibrações na força do fogo. É uma presença quase humana, uma energia que desperta a sabedoria no fluxo da alma. Seu olhar parece mirar um universo existente além dos olhos, e transmite uma firmeza peculiar daqueles que caminham seu verdadeiro propósito. Percebo que seu chão é àquela verdade que consegue lê por detrás de toda letra e palavra. Ele chega de mãos dadas com sua amada, grande companheira de jornada, a honra, e diz:

“Cuide das terras do seu coração, ele merece todo respeito, toda a atenção. É desta região sagrada que poderá colher os alimentos mais nutritivos, os poderes que vitalizará seu espírito e suas ações.

Escute a voz da Natureza, escute a voz da sua natureza, reverencie seu corpo, confie em sua intuição. Saiba que a luz que percebe com os olhos não vem de fora, é um reflexo da luz que mora dentro.

Faça as pazes com as tribos que sobrevivem nas vozes que ecoam na caverna de suas decisões, e acima de todos os deuses, seja você. Não existe verdade absoluta, nem flecha mais certeira, nem livro mais sagrado do que o búfalo interior da integridade.

Por amor, respeite seu espírito, respire os ares das montanhas elevadas em prece, cultive a comunhão com a alma e a simplicidade que inspira o bem, o belo e o sagrado. Nas veias da sua consciência corre a essência do Grande Mistério.

Caminhe sua palavra, não como aqueles que se perdem em falas ocas, sem alma nem compromisso e suas ações morrem antes do pôr do sol, mas como os sábios que vivem muitas luas acordados na firmeza do coração e compreende o poder da decisão. Não há possibilidade de ter frutos àquelas sementes plantadas, se todos os dias, volta atrás, e a planta em outro lugar.

Aproveite as vibrações do agora, nesta lua que se renova, neste ápice de si mesmo onde o destino abraça suas decisões, e toque o tambor. Toque as batidas da gratidão, dos sonhos autênticos, das melhores sementes plantadas em seu coração, dos sentidos que animam as raízes, o tronco, os galhos, as folhas, flores e frutos da consciência.”

Parei tudo o que estava fazendo, peguei o meu velho tambor, e comecei a tocar em sintonia com o coração... 

Mitakuye Oyasin! Por todas as nossas relações!
    

segunda-feira, 1 de abril de 2013

O Totem da Lhama - Samuel Souza de Paula


O TOTEM DA LHAMA



Recontado por Samuel Souza de Paula

Há muito tempo, quando os seres humanos passavam por desafios mil e sua postura diante da vida perdia os valores essenciais de conexão com a natureza, não respeitavam nem a si mesmos, nem aos espíritos que geravam a vida. Esquecia quem eram com a mesma facilidade de expressar violência em meio à guerra, ainda assim existiam lampejos de esperança no alto das montanhas.

Dois irmãos pastores e suas famílias, matinha um caráter impecável, dançavam a dança de suas vidas com respeito e gratidão. Sabiam e confiavam que existiam sinais e soluções ao alcance de seus olhos e corações. Certo dia, eles ficaram muito preocupados quando suas lhamas começaram a agir estranhamente. As lhamas deixaram de comer e passavam a noite olhando tristemente as estrelas. Então os irmãos perguntaram às lhamas o que estava acontecendo e a resposta foi: “As estrelas nos disseram que um grande dilúvio está vindo e destruirá todas as criaturas sobre a terra. Lembre-se: muitas vezes recebemos não aquilo que a gente quer, mas aquilo que precisamos”. Os irmãos, então procuraram a segurança das montanhas mais altas, levaram seus rebanhos para a caverna mais alta, até que começou a chover.

Choveu por nove semanas sem fim. Olhando do alto da montanha, os irmãos viram que as lhamas estavam certas. O mundo estava mergulhado em crises, guerras e se afogando em coisas sem sentido, sem alma. À medida que a água ia subindo, milagrosamente, a montanha onde estavam, ficava cada vez mais alta. O coração dos irmãos, suas famílias e rebanhos pulsava a chama sagrada, a confiança na montanha, no amor, no trabalho interior e na sabedoria. Quando as águas estavam tocando a entrada da caverna, a montanha crescia mais ainda, mais e mais.

Tempos depois eles viram que a chuva havia estiado e que as águas estavam baixando. Inti, o Deus do Sol, apareceu novamente e sorriu, fazendo com que as águas se evaporassem. Era a dança no caminho do sol, era o renascer para a vida, era o brilho renovado. Eles então olharam do alto da montanha e viram que a terra estava seca, tão seca como a garganta depois de apitar pelo osso da águia, sem um gole de água, após quatro dias.

A montanha voltou à sua altura normal e os pastores e suas famílias repovoaram a terra. Dizem então que a partir daquele momento os seres humanos vivem em toda parte, mas as lhamas lembram-se do dilúvio e por isso preferem viver apenas nas terras altas.

Que sua dança pela vida seja inspirada pelas altas conexões da lhama (llama no idioma quéchua), mesmo naquelas situações que se assemelhe a um dilúvio. Que o totem da lhama traga a energia de proteção, prosperidade, abundancia, sucesso, realizações, gratidão, calma, ternura, gentileza e doçura.

Por todas as nossas relações!

 

Obs.: Samuel Souza de Paula, neste ano de 2013, completou 10 anos de danças (6 anos “Drum Dance”, 4 anos “Sun Moon Dance”) nas tradições transmitidas pelo visionário Beautiful Painted Arrow, descendente dos Pueblos Picuris e Utes do Sul, cujos ancestrais foram os Anasazi. Se você tem interesse em conhecer um pouco mais sobre as danças, entre em contato com Felicity Macdonald, líder das referidas danças no Brasil (Dançando a Luz). Email: felicity@bighost.com.br

terça-feira, 5 de março de 2013

Os três fs do Firmino - Samuel Souza de Paula



OS TRÊS FS DO FIRMINO

Por Samuel Souza de Paula


Se você já assistiu há alguma das minhas palestras é provável que saiba que vivi toda minha infância, adolescência e juventude na periferia de São Paulo. E talvez tenha escutado eu contar algumas das histórias que aprendi com meu avô. Ele morava muito longe, cuidava de uma roça e não sabia escrever nada além do próprio nome, mas naqueles momentos de crise pessoal e familiar parecia que suas palavras ressoavam em meus ouvidos e coração com uma proximidade mais intensa do que a realidade.
Lembro particularmente de um momento em que estava somente eu e meu avô. Eu deitado na cama, e ele sentado ao meu lado. Contei que queria construir uma casa na árvore. Então ele começou a contar uma história. Disse que talvez eu não entendesse naquele momento, mas que com o passar do tempo às coisas fariam sentido. Eu já tinha ouvido falar, principalmente na época de fim de ano e réveillon, de que era preciso levantar da cama com o pé direito. Mas, o que aprenderia com meu avô naquela manhã, seria inesquecível.
Ele disse: “Neto! Independente do pé que você colocar no chão ao se levantar, direito ou esquerdo, lembre-se dos três Fs!”. “Três Fs vô?!”, perguntei curioso. “Quais são os três Fs?”, continuei. “Vou dizer! O primeiro F é Firme!”, falou com aquela entonação que mais parecia uma evocação dos poderes de Grayskull. “Que legal vô! E qual é o segundo?” “Calma, primeiro firmeza. Você precisa ser firme nos sonhos que escolher realizar, precisa estar decidido, com vontade, firme em seus propósitos. Este é o primeiro F.”
Eu sorri como fazem as crianças quando querem saber tudo bem rápido e perguntei: “E qual é o segundo F vô?”. Respirou profundamente como se uma magia muito antiga flutuasse no ar e continuou: “O segundo F é Forte!”. Esgarcei a manga da velha camiseta que usava, me aprumei na cama e com um orgulho de campeão bati com a mão esquerda no muqui da direita e disse: “Este aí eu já tenho. Forte eu já sou! Veja vô o efeito do biotonico fontoura!” Ele olhou nos meus olhos, balançou a cabeça e disse: “Não é este tipo de força neto que estou falando”. Pegou em minhas mãos, juntou com as suas e afirmou: “Sozinhos somos fracos neto, juntos somos fortes. Só é possível ser forte nesta vida neto com outras pessoas.”
A vida nos ensina a todo o momento, nos alto da montanha, nos baixo dos abismos, nas planícies e em tudo: aprendizado. Sou aprendiz e com o passar dos anos e décadas a gente pode até ter criado muitas verdades inacabadas, mas chega um momento em que tomamos consciência e vem uma compreensão mais ou menos assim: “É verdade. Eu só existo porque existem outras pessoas. Quando você tem uma ideia ela não é forte, pode até ser firme e é importante ser firme. Se você não acredita na sua ideia, nos seus sonhos, é mais difícil alguém amais acreditar. Até mesmo o Universo fica em dúvida. A força não está na ideia, mas no caminhar a ideia. No permitir e deixar fluir em outros corações. Guardar para si é ‘um sonho que se sonha só’, e o mundo só tem sentindo ao ser compartilhado”.
“Falta um! Vô, qual é o terceiro F?”, perguntei. “O terceiro é Feliz”, disse ele esbanjando um singelo sorriso. “Seu sonho tem que ser regado com alegria. É preciso que seja algo que só de imaginar dá vontade de cantar e dançar. Você se enche de felicidade, de contentamento, de entusiasmo. Neto, você também pode chamar esta felicidade de amor”.
Estes são os três Fs do Firmino, estado de consciência que convocava todas as manhãs antes de colocar os pés no chão: Firme (firmeza), Forte (força) e Feliz (amor). Quero dizer que a casa na árvore foi construída com sucesso e que possamos ser firme em nossos propósitos e ações; fortes em nossas alianças e feliz em nossa consciência. O que mais dizer a não ser gratidão! Gratidão por vocês serem presença em minha vida, pois juntos somos fortes.
Meu propósito de vida é inspirar, despertar e habilitar as pessoas a alcançarem seus sonhos mais elevados e incentivar o desenvolvimento espiritual com sabedoria, amor e respeito por meio de dinâmicas integrativas, educação criativa e comunicação inteligente cocriarmos um mundo melhor.
Sou Samuel Souza de Paula e assim falei! Bom dia!!!


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Revigorar - Samuel Souza de Paula


REVIGORAR



Quando a vida se apresenta como uma fresta, caminhos fechados e ciclos difíceis, em algum lugar e no próprio caminho acontecem misteriosas festas, festa de possibilidades. Marcamos os dias, as semanas, os anos, caímos, levantamos, sorrimos, enxugamos as lágrimas, superamos desafios e o mundo continua girando. Para alguns este é o primeiro, para outros um último provável. Mas quem controla o tempo?

As datas só possuem significado quando atribuímos significado a elas. Pensamos que não é simplesmente a “Deus dará”, que precisamos assumir responsabilidade por nossa vida, nosso tempo, nossas escolhas. Que é bom aprender com o tudo aquilo que é passado, com as frestas por onde passamos e com as festas que aproveitamos. Que é bom ter sonhos, viajar ao futuro, colorir as metas, manter a esperança, mas acima de tudo viver, viver o presente, o hoje, o agora.

O tempo assim como as folhas nos ensina a voar com o vento, às vezes muito forte, outras vezes bem fraco, mas em movimento, em uma eterna sucessão de fatos. Mundos que cruzam e mudam as estradas dos meses, dias que confunde as cenas e repassam as décadas em um milésimos de segundo. Mudanças. Luzes se acedem, luzes se apagam, roupas doadas, fotografias perdidas, novas resoluções, transformação, metas e promessas.

É verdade que algumas coisas perdemos e muitas outras ganhamos, mas neste instante a vida se abre em festa. Abrimos os olhos, despertamos. É um novo dia! Uma oportunidade de escrever uma nova página, um novo começo, fazer deste o primeiro, com energia, coragem, dar aquele importante passo, construir uma nova história.

É tempo de renovar, fechar os ciclos, abrir outras portas, evocar as forças da alma, revigorar. Sim, podemos fazer o nosso melhor e criar melhora em nosso caminho. E que venham os sorrisos, quem venha o amor de braços alargados com o amor que cultivamos em nós mesmos, o sucesso, o esplendor de uma boa atitude e muita consciência.

É, pois não queremos apenas perder peso ou entrar em forma. Queremos também aprender com nossos erros, perder os antigos medos, ir a forra com nossos limites, quebrar velhos hábitos. Queremos uma vida verdadeira, queremos uma vida inteira, uma verdadeira reforma.

Muita paz, energia, amor e alegrias em sua vida!

Beijos de luz,

- Samuel Souza de Paula -

domingo, 19 de agosto de 2012

Medicina da Arara - Samuel Souza de Paula


MEDICINA DA ARARA


Hoje perguntei ao meu pai o que ele gostaria de receber de presente nas celebrações do “Dia dos Pais”, e ele me disse: “O mais importante de tudo: A amizade.” Realmente os amigos são grandes presentes na vida, algumas vezes chegam de mansinho com um lindo laço colorido de afinidade e outras com um nó marcante que depois de desatado mostra todo seu conteúdo verdadeiro. Amigos são encontros que nos engrandecem, que faz das nossas vidas o que é pra ser, um presente.

Há algumas horas saboreei alguns morangos silvestres, antes das gravações do programa “Sinais de Fumaça”, eles me trazem a lembrança dos amigos da infância e as muitas vezes em que choramos de rir com fatos engraçados e outras em que choramos desiludidos e nos consolamos diante das dificuldades e perdas. Como dizíamos em tom de brincadeira: “Ainda temos a fogueira e podemos fazer história”. Gostávamos de nos reunir ao redor da fogueira, falar da vida, contar piadas e transmutar as muitas bobeiras. No final, comer morangos, assar batata-doce e desejar que as coisas dessem certo no dia seguinte. Posso sentir que ainda temos uma fogueira.

A gravação de hoje teve o enfoque nas Danças Circulares Sagradas e pude ver nos olhos das convidadas uma chama acessa o fogo do coração e a luz da sabedoria. Em suas falas senti uma amizade com a vida, com as pessoas, com o círculo e é claro com o Sagrado. No local tinha uma Arara e ela disse “Oi!”. Talvez como um sinal de que quisesse participar das gravações ou simplesmente dizer que também estava presente. Vocês sabem que gosto das práticas bioxamânicas e nesta visão de mundo tudo é sagrado, possui uma essência, uma mensagem, uma consciência. A Arara não é apenas uma arara, mas uma medicina peculiar, assim como os amigos.

A Medicina da Arara é a medicina do arco-íris, este dia foi um dia arco-íris, com muito aprendizado, muitos lembretes, muitos presentes. Podemos ver que no círculo da vida existem pessoas-cores de diversas tonalidades, com suas histórias, suas dores e amores, dançando, trazendo em seus passos sonhos e intenções.

Sabe, tenho aprendido que nada é por um acaso, nem tudo está perdido no tempo e no espaço, existe um sentido que às vezes nem faz tanto sentido naquele momento, mas posteriormente vemos que é bom. Que é bom ser humilde e não achar que é o “rei da cocada preta”, que estamos aprendendo. Podemos até saber algumas coisas, mas dificilmente saberemos tudo sobre tudo. Tenho aprendido a reconhecer as muitas línguas e culturas e a respeitar as traduções das linguagens humanas. Algumas vezes parece que eu nada entendo, peço ajuda e acima de tudo, mantenho meu coração aberto.

Sim, é importante ter suas preferências, gostar de uma cor, mas desvalorizar todas as outras, penso, não ser uma atitude muito inteligente. A Arara nos ensina que a vida é feita de arco-íris e nos convida a fazer uma prece, um rito de cura, evocarmos a energia do Sol.

Lembre-se: Cada cor possui um poder curador, cada pessoa uma medicina. No contexto xamânico a Arara é uma ponte entre o “Povo Pássaro” e os “Duas Pernas” (o ser humano). E de certa forma somos pontes também, pontes que conectam corações. Nas Danças Circulares Sagradas em diversos momentos este sentido está presente, é cultivado e sentido.

Nossas mãos e braços não são apenas mãos e braços, é a extensão do coração. Nosso coração se alonga para tocar o alongamento de outros corações no alinhamento espiritual. Quando estamos de mãos dadas em roda, estamos reafirmando a chama sagrada, um símbolo, uma força, um só coração, “ainda temos a fogueira e podemos fazer história”. Inclusive o centro da roda simboliza o próprio fogo, o Sol central.

A Arara pede para sermos amigos dos espíritos das palavras, que tem como aliado os “Ventos Ancestrais”. Ou melhor, ela instiga uma comum, única ação que possibilita relações na vida, a Arara preza uma boa comunicação. Que possua integridade, verdade e compaixão. Cada palavra pode despertar uma cor, uma lembrança, um sonho, uma solução, talvez por isso ela tenha pedido para evocarmos a energia do Sol, para nos inspirar na chama que ilumina o céu, nos lembrar de que o momento é de cultivar a chama que nunca se apaga, a alma, a sabedoria do coração.

Desejo que caminhe as suas palavras, escreva a sua história e tenha uma boa vida!

Mitakuye Oyasin! “Por todas as nossas relações!”

Samuel Souza de Paula
www.espiritualidadenatural.blogspot.com
Fotografia: Samuel Souza de Paula

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Dança do Sobrevivente Ancestral - Samuel Souza de Paula

DANÇA DO SOBREVIVENTE ANCESTRAL


Certa vez, em uma tarde de sábado, uma criança se sentou na mesma árvore em que eu meditava. Ela ficou ali do meu lado, em silêncio, como se esperasse o tempo certo para ser tornar o centro das atenções. Eu respirava com dificuldade, o ritmo das atividades cotidianas era tão intenso que o corpo pedia descanso. Sim, o contato com as forças da Natureza sempre renovava minhas energias e ideias. O simples ato de colocar os pés no chão, ouvir os pássaros, sentir a brisa fresca tocar suavemente a face parece ativar energias semelhantes em minha natureza interior.
Quando nos colocamos à disposição podemos ouvir, viver e reviver conexões inusitadas que elevam o estado da alma. Havia aprendido com as falas sagradas de pessoas em “sintonia fina” a importância de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo. Esta mágica pausa magnetizava o alinhamento dos meus pensamentos, gerava um fluxo de sentimentos e energias que resgatava a saúde e reconquistava o espaço sagrado. Meus olhos estavam fechados e meu coração buscava o enraizamento nas forças essenciais. O que me era essencial? Qual a busca em uma meditação de sábado?
Foi a criança que respondeu, como se ouvisse meus pensamentos e estivesse ali especialmente para compor na simplicidade as seguintes palavras:
“Sabe moço, a vida é um sonho. Aquela formiga que caminha com a folha que caiu da árvore sonha que é uma formiga forte como nenhuma outra. Se um vento forte a sopra para longe, ela até imagina que foi a força dos seus pensamentos que a fez voar. E o vento sonha que sua força existe para balançar as folhas das árvores e quando vê uma folha cair, se exalta: ‘Consegui! Consegui!’. Empurrar uma formiga, para o vento, é fácil como beber suco no canudinho em dia de calor. Esta árvore também sonha, sonha que viu uma formiga levando sua folha, sonha que um vento imagina que arrancou uma folha do seu galho e que uma criança está contando uma estória. Moço, e você? Está sonhando que conversa com uma criança, junto a uma árvore, perto de uma formiga, sentindo o vento que ganhou outro sentido em sua imaginação? Sabe, quando o vi, fiquei feliz, por perceber que você tem imaginação e pode sonhar muitas realizações. Por isso existo e apareci. Se eu sou você criança, então, o que vai ser? Qual a resposta as suas primeiras perguntas?”
Diante desta sutil experiência visionária, prático a autorresposta, que é mais ou menos assim:
Sonhar é essencial. A criança que existe em mim cocria as histórias do meu viver, quanto mais presente, mais sorrisos, mais feliz. Quanto mais distante, reconheço a necessidade de um tempo para buscar respostas nas sombras da tensão. São nestes momentos em que minhas falas se recolhem, e a alma grita por sensibilidade, sentindo, percebendo e assimilando os reflexos dos sonhos de vidas. Vidas, consciências que dançam as suas verdades num cinturão luminoso de visões e sabedorias. As pessoas, as atividades, os comportamentos, os sentimentos vibram como lições naturais. Também aqueles outros sonhos, quando o corpo sonha dormindo, abrem janelas e inspiram transformações nas danças do espírito. Aprendizado. O espírito é essencial. Dou as mãos ao Espírito Ancestral, me sinto mais integro e escuto o corpo refazendo seus sonhos, suas células e vitalidade. Abro os olhos e vejo a minha frente o céu do meio com suas nuvens, e o céu do alto com suas luzes. Desperto.
Eu me encontro no meio do caminho e o caminho abraça a meditação feito um trovão acompanhado de estrondos e raios. As faces dos amigos que dançam um sonho tornam-se livros abertos, facetas de mim mesmo e reflexos de aprendizado. Cada pessoa doa o seu melhor no melhor que ressoa em seu espírito. Cada espírito interpreta, compõe uma trama que sacia a fome de histórias e relações. Os sonhos são feitos de relações. A vida é feita de relações. As relações são canções que enaltecem verdades, sentidos, sombras, luzes, faces, foices, ventos, vidas, papeis, mensagens, amores e muitos outros sabores. A meditação, o sonho e o sábado são uma das cenas que podem fazer de você um sobrevivente ancestral. Desperto. A vida é essencial. A vida é.
Mais alguns passos e chego com uma energia amorosa caminhando no espaço daqui até os olhos. E quando nos olhos, mergulho na bondade existente no coração e abro as asas em gratidão. Gratidão por acompanhar os passos nesta dança visionária. Gratidão por ser você e por me inspirar a ser eu mesmo. Gratidão pela humanidade, simplicidade e sorriso de criança. Gratidão por cultivarmos sonhos em sintonia. Gratidão por crescer em energia. Gratidão pela “sintonia fina”. Grande abraço de luz. Abraço circular.
Samuel Souza de Paula

(Estes escritos são dedicados aos participantes de um dos cursos de Danças Circulares Sagradas focalizadas por Maria Gabriele Wosien, especialmente “O Sonho de Olaf” em Rosa de Nazareh.)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A LUA E O DRAGÃO: NOVAS ÁGUAS

A LUA E O DRAGÃO: NOVAS ÁGUAS



Existem momentos na vida em que as expectativas são tamanhas que parecem que todas as células do corpo querem ir de encontro ao objetivo desejado. Pode ser que já tenha passado por sensações semelhantes, misturado a diversas emoções, quando foi, por exemplo, a um primeiro encontro, uma mudança de casa, transformações na carreira ou conscientização de outro nível na espiritual da vida. As águas do corpo respondiam às vibrações da sua consciência das entranhas à flor da pele.

Nestes episódios algumas pessoas comentavam: “Você é louco!” ou “Você é de lua!” enquanto que no céu do seu coração brilhava a certeza, junto a todas as incertezas do caminho, de que estava fazendo o certo. Sim, você seguiu o seu coração, entrou em crise, tiveram altos e baixos, mas foi em frente e chegou onde está em uma Lua Nova envolvida pelas energias de um Dragão de Água. O que isso nos diz? O que estas vibrações nos inspiram? Quais os tesouros escondidos nestes passos visionários? Veja o que o seu coração responde resgate a sua intuição.

Há muito tempo àqueles que sonhavam por estas terras que caminhamos hoje diziam que a lua é a “Mãe dos Frutos”. Que imagem bonita para nossa meditação. Hoje é Lua Nova. E a Lua Nova de hoje nos impulsiona à renovação dos nossos caminhos, fala para botarmos fé nos primeiros passos, mesmo que eles venham a se modificar com o tempo. De certa forma a vida é uma dança de relações, águas que tocam e seguem seu curso, águas que recebem e doam outras qualidades de água, águas que impulsionam o reconhecimento da força, da integridade, dos sonhos que tocam as margens. E é preciso lembrar que a semente que você planta hoje precisa de um tempo, regada de sentimento, e tudo tem seu tempo certo de ser. É claro, nossas águas nunca serão as mesmas!

O Dragão de Água vêm trazer a clareza nas ações, fortes mudanças, elevação, transparência e verdades. Se você sentia que as coisas estavam intensas, agora serão mais ainda. Daí a importância de respeitar suas prioridades e agir com vitalidade. Preste atenção em como está se relacionando com os seus sonhos, com as pessoas, com seus planos e propósito de vida. Perceba, sinta se contém entusiasmo, presença, alma em suas relações. Um dia, quando eu era criança, pela manhã bem cedo fui pescar em uma represa próximo de casa, raramente conversava na hora da pescaria, mas hoje me lembro de uma frase que ouvi de um pescador: “Peixe não vive fora da água e o ser humano não vive sem pessoas e sem amor”.

Tudo isto nos inspira a compartilhar os tesouros escondidos em nosso interior. Nutrir e reafirmar a responsabilidade pessoal, principalmente em nossos vários tipos de relações. Deixar brilhar as verdadeiras riquezas que o Espírito do Dragão Pessoal presenteou. Não é uma questão de aparecer, mas sim transparecer o que você realmente é.

Ótimo dia para você e feliz vida nova!

- Samuel Souza de Paula -
www.espiritualidadenatural.blogspot.com

Crédito da imagem: Water Dragon – Jessica Elwood

sábado, 17 de setembro de 2011

SORRISO DE ESTRELA

Estrela que sorri com os rodopios da vida...
Seja a presença e o brilho nas danças partilhadas!
Ternura nas mãos luminosas, que tocam as outras, na pulsão do coração...
Encanta nossos dias com os sóis do bom dia, mesmo na noite...
Leva e eleva as forças do amor compartilhado, a todo instante...
Amplia a união, os sonhos, o olhar e a experiência do Sagrado!

Muitos tempos, muitos povos, juntos,
Afinados com a canção e silêncio.
Rios de sabedoria, águas de compaixão...
Ilumina, grande estrela, ilumina...
Alcança os círculos internos dos corações!

Guia seu coração pelas fontes universais...
Ultrapassa todas as formas e veja os anjos à volta!
Ilumina, pacifica, respeita, integra!
Deus é sua segura e sua nau.
Ilusões se desfazem, na firmeza da paz...

Gera novos círculos, novas rodas, nobre estrela.
Olhe os olhos como vibram, as capacidades que espelham...
Mira nossos sonhos, faz iguais nossos tamanhos.
Escuta nossas preces, ilumina, somos além de toda veste.
Somos filhos da perfeição, somos círculos em evolução!


Samuel Souza de Paula
samuel.s.silva@bol.com.br

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Ele só queria aproveitar o feriado...

ELE SÓ QUERIA APROVEITAR O FERIADO...


Ele só queria aproveitar o feriado, descansar um pouco, recarregar as baterias, ouvir aquela voz que há muito não ouvia, quem sabe organizar toda sua vida. Seu coração pulsava, mas ele não sabia. No seu trabalho e em seus muitos compromissos a correria era tamanha que vivia se queixando:

Está difícil! Não posso parar, é muita coisa! Não tenho tempo!”

Mais um passo, quanta coisa, desafio, resolvido, outra vez, erro, desespero, faça, acerto, é isso aí, outra meta, outra coisa, outro passo, sem parar...

Quando chega o feriado ele não tem para onde ir, não se organizou. Seus parentes foram para o interior e ele resolveu ficar em seu pequeno apartamento na cidade grande. Era manhã, sente sede e a primeira coisa que passa em seus pensamentos é “Preciso de café!”. Veste a primeira roupa que encontra, não vê que o vizinho está no corredor, aperta o botão do elevador, desce, passa pela portaria sem dizer uma palavra. Em seus pensamentos mecanizados ecoa o mesmo pedido de sempre “Preciso de café! Café!”.

Chega à padaria, pede um café! Engole. Antes de abaixar a xícara, pede mais um. Ele não percebe, mas um Senhorzinho entra na padaria com passos firmes e face serena. Senta ao seu lado. Não existia ninguém, era ele, ou melhor, a xícara de café e as muitas coisas que tinha por fazer.

O Senhorzinho diz: “Bom dia!”. Ele não responde, não pensava que era com ele. O Senhorzinho repete uma segunda vez: “Bom dia!”. Então ele responde, mas sem desviar o olhar da xícara de café: “Bom dia!”. “Oi moço cuidado com isso, se não vai se embebedar logo cedo!”, brincou o Senhorzinho de face serena. Ele deu um sorriso sem graça.

Aquele Senhorzinho que aparentava uns 70 anos de idade parecia não ser uma pessoa normal, pelo menos não para aquele que vivia na correria. Ora, em vez de café pediu um suco, frutas picadas e um pão na chapa. “Que estranho! Conversa com desconhecidos, faz piadas de graça e parece ter visto um pássaro azul”.

Depois de um tempo, ele, o do café, ainda meio receoso, ouvia as histórias daquele Senhorzinho e se encantava das proezas e lugares que ele conhecia. Depois de muito falar o Senhorzinho pára e fica em silêncio. Um bom tempo em silêncio...

Ele, sem saber o que fazer diante daquela postura – imaginava que havia se passado uma hora e meia desde que se conheceram – pede mais um café. E pensa: “Este Senhorzinho deve ter algum tipo de problema. Fala, fala e fala. Depois, sem aviso, fica calado!”. Tomou mais um café.

“Jovem!”, disse o Senhorzinho com uma voz que transmitia profundidade, “Já estamos algum tempo conversando! Talvez não tenha notado, mas já são 17 horas, estamos aqui há quase dez horas! O feriado já está acabando! O que posso fazer por você?”

Ele ficou espantado, primeiro porque não parecia ter passado tanto tempo e segundo pela pergunta direta. Percebeu naquele instante que seus afazeres cotidianos não eram preenchidos com alegria e presença, como o que sentia no diálogo com aquele Senhorzinho.

Depois de alguns instantes, em meio ao assombro daquele encontro, disse: “Agradeço suas histórias, parece que tudo o que contou foi exatamente o que eu precisava. Tanto que nem vi o tempo passar. Gostaria, já que é uma pessoa tão vivida e mística, compartilhasse três dicas para minha vida.”

“Já que estamos interagindo no tempo darei três dicas que aprendi em minha vida.

Primeiro, jovem rapaz, reserve um tempo a si mesmo. Pode ser cinco, dez, quinze minutos por dia, mas crie uma janela de tempo na sua vida para conhecer os cômodos da sua casa, da sua casa interna. O que se passa dentro de você? Ou o que você está deixando passar? O seu momento de pausa, de reflexão, de meditação, de silêncio. Pode até ser enquanto toma a sua xícara de café, o mais importante é que esteja presente no seu tempo, naquilo que está fazendo.

Segundo, doe um tempo para outra pessoa. Aprenda a proporcionar alegrias e possibilidades de expansão a outras pessoas. Isto pode fazer uma grande diferença na sua e na vida destas pessoas. Pode ser o seu vizinho, seu porteiro, alguém que está te atendendo ou alguém que nunca viu, quem sabe tomando café na padaria. Não importa que seja em alguma instituição, ou no seu trabalho. O importante é ajudar de alguma forma outro ser humano. Se a vida é uma raridade, se o tempo é precioso, doe a sua presença, ela pode ser um tesouro na vida de outras pessoas.

A terceira dica, meu caro, é dê tempo ao tempo. As coisas mudas, tudo se transforma. Não espere que de um dia para outro vá transformar o mundo, comece transformando sua visão de mundo. Um dia você pode conseguir reservar apenas dois minutos a si mesmo, outro pode ser um dia inteiro, dê tempo ao tempo, respeite o seu ritmo. Pode ser que em algumas situações em que você tinha a intenção de ajudar outras pessoas, doando o seu tempo, as coisas não ocorreram como imaginava, dê tempo ao tempo. Aproveite o aprendizado. Todo segundo é uma oportunidade de aprendizado. Aprendizado é riqueza.

Jovem, estas são as minhas dicas. Dicas de um velho que gosta de suco, frutas picadas e pão na chapa. É hora de eu ir. Agora, vamos dar tempo ao tempo. Quem sabe possamos nos encontrar novamente, nunca se sabe. Existem muitas padarias nesta cidade grande e muitas pessoas precisando de uma companhia ao tomar o seu café.” O Senhorzinho sorriu, brincou com a atendente do caixa e seguiu seu caminho.

Ele pediu a atendente um papel e caneta e anotou:


1. Reservar um tempo a mim mesmo.
“Estar presente é minha janela de tempo.”

2. Doar um tempo para outra pessoa.
“Compartilhar sempre o meu melhor.”

3. Dar tempo ao tempo.
“Compreender que tudo se transforma.”



Ele percebeu que havia ganhado um presente, que aquele Senhorzinho e suas dicas podiam fazer grande diferença em sua vida. Ele agradeceu a atendente pelo papel, caneta e o excelente atendimento. Voltou ao seu pequeno apartamento naquela tarde para realizar a primeira dica. Afinal, ele só queria aproveitar o feriado.


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

ENCANTAMENTO E ENTENDIMENTO


Encantar é trazer para os passos da vida o ritmo da Natureza.
Não somente o ritmo dos facilitadores, mas de todos que tecem
Com carinho a metodologia que incentiva o estar inteiro.
Amor pelo aprendizado, amor pela partilha, amor pelo ensino.
Navegando pelos mares, construção do conhecimento, por vezes turbulento, outras vezes calmo.
Tocando os portos dos que convidam para o entendimento e
Abraçando, afofando as terras férteis, dispostas a receber algumas pequenas sementes.
Medida especifica para as aulas são planejadas, outras tantas surgem de maneira inesperada
E todos crescem, amadurecem, no desenvolvimento da pedagogia da cooperação.
Novamente me remete a sabedoria que a Natureza ensina em suas ações... de que
Tudo está interligado, do cosmo ao átomo – podemos no interno conectar as dimensões.
O que queremos dizer é que nossa metodologia é de

Encantamento e Entendimento – alimento para a mente e o coração!

Esclarecimento, conhecimento, experiências, e as referências pautadas ante a ação.
Numa malha lúdica, no exercício da escuta, pois a vida muda, mas não é muda...
Temos que aprender a escutar as falas representantes das transformações.
Ensino é arte, é aprendizado revisitado, contextualizado às novas interações.
No mundo encantado é como o sino, que chama para despertar o coração.
Duas palavras dançam, lembre-se, no ritmo desta integração: encantamento e entendimento...
Intuitiva e conscientemente podem gerar, não duvide uma silenciosa revolução.
Melhor viver se encantando com as coisas boas da vida - as tantas coisas por agradecer
E buscar entendimento, planejamento, ação consciente, melhor do que reclamar e se perder.
Na sabedoria dos Iroquois existe uma fala, muito preciosa, que compartilharemos com você:
Todos, sem exceção, somos condenados, condenados a sermos felizes!
O que mais podemos dizer? Encantamento e entendimento – façamos de nossa vida um feliz aprender!


Samuel Souza de Paula é escritor, consultor e palestrante. Estudioso do comportamento humano desenvolve trabalhos de integração entre corpo, mente e espírito. Apresentador do programa de entrevistas “Consciência Próspera” e co-apresentador do programa xamânico “Sinais de Fumaça”, ambos pela TV Biosegredo. Autor do livro “Pepitas de Amor: Mensagens para o Despertar da Consciência Próspera ”.
samuel.s.silva@bol.com.br

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Preciosidade da Vida



Olá,

Há quanto tempo você não se dedica a si mesmo? Há quanto tempo não tira um dia para agradecer a vida, simplesmente por estar vivo? Você realmente parou para sentir quantos presentes tem ganhado ou está 'a toda' no corre e corre do cotidiano?

Nesta semana fiz um experimento da abundância (em outra oportunidade falarei sobre alguns desafios conscienciais envolvidos). O desafio daquele dia consistia em doar um certo valor para um desconhecido.

Depois de dar três voltas no quarteirão e observando o corre-corre, encontro a pessoa que receberia aquele valor. Ela estava disposta mas não sem antes me fazer as seguintes perguntas: "Por que você me daria este dinheiro? O que você quer de mim? O que que eu faço com este dinheiro? Por que eu receberia? Por que eu?" Respondi com uma pergunta: "Por que não você a ser beneficiada com este valor?"

Nosso intuito em citar esta história é refletir no quanto está aberto a receber. Está disposto a deixar de ouvir os resmungões interiores (aquelas vozes negativas que cultivamos durante muito tempo e que nos coloca para baixo)? Qual seria sua reação se um desconhecido, do nada e de lugar nenhum oferecesse um certo valor em dinheiro?

Começamos falando em nossa mensagem de hoje sobre a disponibilidade em dar um tempo a nós mesmos. Quando não damos tempo para nós mesmos é bem provável que não enxergemos um presente chegando em nossas mãos (quem sabe alguém querendo doar um certo valor em dinheiro, ou um livro, algo importante para você, ou uma oportunidade). Independente do que seja, está aberto para receber?

É muito fácil ficar no corre-corre, sobreviver e 'matar o tempo' com coisas que não dão prazer em viver, ou melhor matar à nós mesmos tornando-se máquinas com ações e desculpas repetitivas. Henry David Thoreau escreveu: "Você não pode matar o tempo sem ferir a eternidade." Estar em harmonia com a eternidade é estar em harmonia com você.

Sim, mantenha os pés no chão pois é bom honrar a Terra por onde anda, mas tenha também conexão com algo superior aos seus afazeres, com seu estado de espírito. É saudável criar um espaço de tempo para estar com você mesmo. Sempre haverá novos desafios, como sempre há. Mas quando se cria espaço para a pausa, para o descanso, para agradecer, para apreciar os presentes que tem ganhado... lidar com os desafios torna-se viver o momento presente com eternidade, com alegria e sentir a preciosidade da vida.

Fique bem!

Grande abraço,


Samuel Souza de Paula
samuel.s.silva@bol.com.br
http://www.espiritualidadenatural.blogspot.com/

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Coração e Coração

As orações fazem o giro profundo no infinito,
Nossas mentes se recolhem na humildade,
Abrem-se as portas do coração e nossas almas se ajoelham,
Palavras silenciosas, benfazejas, inundam-nos e brilham!

Sem a existência de nenhuma língua,
Sem o culto de qualquer religião,
Sem qualquer que seja alguma restrição,
Simplesmente coração e coração.

A Terra torna-se o próprio templo,
Nós mesmos, o altar da evocação,
O templo é tomado pelo todo dourado,
O altar, a Luz de toda irradiação!

Sem a existência de qualquer medo,
Sem nenhum emblema de superioridade,
Sem algum receio de impossibilidade,
Sem nenhum apego à inferioridade.

É o giro profundo da grande oração,
É o mistério escondido na encantação,
É o vento soprando nas almas dos humanos,
É a vida vibrando, coração e coração!

- Samuel Souza de Paula -

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010


“Em relação a todos os atos de iniciativa e de criação, existe uma verdade fundamental, cujo desconhecimento mata muitas idéias e planos esplêndidos: a de que no momento em que nos comprometemos, a Providência se move também.


Todas as coisas acontecem para nos ajudar, de outro modo não teria ocorrido. Toda uma corrente de acontecimentos brota da decisão, fazendo surgir a nosso favor toda sorte de incidentes, encontros e assistência material que nenhum homem sonharia que viesse em sua direção.


O que quer que você possa fazer ou sonhar, faça-o! Coragem contêm genialidade, poder e magia. Comece-o agora!” – Johann Wolfgang Von Göethe.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Pensamentos Partilhados: Janeiro/2010

Olá, que esteja bem!
Para receber os Pensamentos Partilhados em sua caixa de mensagem, é muito fácil. Envie um e-mail para samuel.s.silva@bol.com.br e pronto!
Muita paz, energia, amor, discernimento, prosperidade e alegrias em sua vida!
Ótimas reflexões!



























sexta-feira, 13 de novembro de 2009

LIMPE SEU TELHADO MENTAL


Todos os meses observo uma pessoa realizar certos cuidados com o telhado de uma escola. Ele caminha sob aquelas telhas vermelhas com uma vassoura na mão, tirando todas as folhas que caem das árvores ao redor. É surpreendente a quantidade de folhas que saem dos desvãos e calhas.

Para a limpeza é necessário um certo cuidado, por que você sabe, estas telhas não são tão fortes para agüentar o peso de um corpo humano, assim é bom pisar nos locais certos. É bom saber onde estão as fortes vigas de sustentação e nunca, nunca pisar no meio da telha.

Numa manhã de quarta-feira, lá vai o jardineiro e carpinteiro levantar sua escada e subir no telhado. Às vezes ele canta, às vezes são os pássaros que canta pra ele – de verdade, não sei se ele escuta ou apenas se os sons passam pelos seus ouvidos.

Ele segue concentrado realizando o seu trabalho, com eficiência e precisão. Seu instrumento: uma vassoura; em alguns momentos somente as mãos.

Esta simples imagem da manhã me fez pensar: nosso corpo também é uma escola. Nele podemos aprender onde estão as tensões, os incômodos e as oportunidades de desenvolver a consciência e harmonia nos movimentos da vida. Temos muitos pensamentos e é aconselhável termos autocuidados, ternos cuidados, não pisar pesado no meio – e nem na gente mesmo, e ficar atentos para não nos afundarmos em crenças limitantes.

Lembro-me do que um velho amigo me dizia, com sua voz calorosa e presença de espírito: “Limpe sua cachola! Aprenda que a vida é uma escola e compreenda que o presente do silêncio é uma oportunidade de fazer história. Sossega, vai dar tudo certo, a solução não demora!” É verdade, tudo passa na temporaneidade da vida transitória enquanto surgem presentes de experiências na vida interna, quando estamos presentes nas passagens de nós mesmos e largamos o que não nos é mais útil e seguimos para um passo além e mais profundo.

Outro dia ouvi uma frase idêntica num filme, era mais ou menos assim: “Jogue fora o lixo mental! Esvazie a mente para estar presente!”, e esta é uma das buscas mais importante e um grande aprendizado. Por vezes tentamos colar e juntar folhas e mais folhas secas em nosso telhado, pensamentos e crenças limitantes, ultrapassadas. Como se déssemos significado ao lixo mental, pegamos muitas crenças limitantes e levamos com estimação.

É interessante fazemos uma faxina mental, largar aquilo que não nos serve mais. Reciclar nossos pensamentos. Talvez as folhas secas sejam produtivas, mas em outro lugar – como adubo e nutrição para o solo, por exemplo. Não mais na sua cabeça. Tente imaginar que, com o poder da sua intenção nas mãos e a vassoura do discernimento está limpando, como o jardineiro, todo o seu telhado.

Vai varrendo para fora da sua cabeça e do seu corpo tudo aquilo que o limita. Você pode fazer esta limpeza cantando ou deixar uma canção de fundo, relaxante e que goste, acompanhar você.

Enquanto vai retirando as folhas da preocupação, as cinzas do passado, aquilo que já não lhe serve mais, mantenha a confiança se apoiando nas vigas de sustentação do amor, da paz, da sabedoria e todos os valores que o sustenta como pessoa.

Faça isso pelo tempo que quiser, até sentir que seu telhado está limpo e seu corpo mais relaxado.

Aceitar os aprendizados é conscientizar-se da mudança e do tempo. O mundo muda a cada segundo, assim precisamos estar presentes a todo momento. Assim as telhas podem refletir a luz do sol, ajudar a manter o frescor da alma no interior da casa e acolher as novas e belas oportunidades da vida.

Fique bem!

Grande abraço,

Samuel Souza de Paula, espiritualista, consultor e palestrante. Coordenador da Roda de Cura Xamânica “Espírito de Gaia”. É estudioso do comportamento humano e desenvolve trabalhos de integração entre corpo, mente e espírito. Facilitador do curso Valores da Cultura Indígena na UMAPAZ - Universidade Aberta do Meio Ambiente e da Cultura de Paz. Pesquisador de técnicas ancestrais e modernas direcionadas ao crescimento pessoal. Possui formação Master em PNL – Programação Neurolingüística. É participante de Danças Xamânicas pela Paz, Danças Circulares Sagradas e de Grupos de Estudos e Assistência Espiritual.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

PERDÃO: UMA CONSCIÊNCIA AMOROSA

PERDÃO: UMA CONSCIÊNCIA AMOROSA


- Samuel Souza de Paula -

“Se você trata uma pessoa como ela parece ser, você a torna pior do que é. Mas se você trata uma pessoa como o que ela pode ser, você a transforma naquilo que ela deveria ser.” - Goethe




Lembrando destas sábias e criativas palavras, pensava com carinho numa porção de pessoas que tinham entrado em contato comigo no decorrer da semana. Muitos haviam esvaziado suas lamentações e dores, na inquietação, consciente ou inconsciente, em responsabilizar e culpar outras pessoas pelas injúrias em suas vidas. Refletindo sobre estes fatos e olhando por outros ângulos, comecei a pensar nelas como sendo além do que aparentavam ser.

Vi-as além das dores que me mostravam, dos rancores que teimavam expor, e uma palavra surgiu como um mantra cheio de energia: “Perdão!”. Trazendo um sentido tão forte e inevitavelmente grandioso em meu peito, só pude traduzir como sendo pura compaixão... Como se uma nova luz surgisse além de tudo o que eu havia dito a eles e, reconhecendo isso, voltei minha atenção para mim e às minhas atitudes relacionadas ao perdão. Repassando os fatos, pude notar que, às vezes, perdoar foi fácil; outras vezes, o perdão foi uma escolha muito ousada. Mas, seja lá o tipo de escolha que eu tenha feito, esta ação sempre me levou a um coração em paz, sempre me deixou mais feliz e livre para me mover adiante.

Agora, quando digito estes escritos e olho diretamente nos olhos da menina Esther, de apenas quatro anos de idade, perguntando-me inocentemente: “Você é feliz?”, profundamente tocado, soltei um suspiro reconhecendo uma verdade interna: “Sim!”. Um sorriso parecia guiar nosso diálogo infantil. “Ah, eu sabia... Você dorme feliz igual a mim!” – disse ela toda contente, e me deu um desenho seu: era a nuvem que dorme feliz. Lembro-me agora da frase “tudo passa”, olhando o desenho da nuvem que passa dormindo feliz, que se dissolve no céu.

Uma ternura contínua se apossou da minha consciência; pude ver além das ilusões de meus olhos, apenas crianças: uma brincando de escrever e a outra de desenhar. E é tão bom brincar, é tão simples... Mas temos uma mente que ambiciona pensamentos e, então, num agrado, tento juntar a criança do agora com o ancião do amanhã – com carinho e perdão. Notando que, quando você sente que uma pessoa vê o próprio âmago do seu valor como ser humano, você não pode deixar de se sentir valioso. E o perdão é um sentido amplo do mais alto valor. Vamos refletir nestas linhas e levá-las para nossas vidas, escrevendo alegrias, amores e compaixão.

Você nem sempre tem o poder de mudar as circunstâncias, mas pode, no entanto, mudar sua maneira de reagir a elas. O teólogo e filósofo Paul Tilich escreveu: “O perdão é uma resposta, a resposta divina implícita na nossa existência” – é um deixar fluir inocente. “O perdão é o modo de tomar o que está quebrado e torná-lo inteiro. Ele toma os nossos corações partidos e os conserta, toma nossos corações aprisionados e os liberta; toma nossos corações maculados pela culpa e pela vergonha e os devolve à pureza original. O perdão devolve aos nossos corações a inocência que possuíamos – uma inocência que nos liberta para amar” – afirmou Robin Casarjian, em seu Livro do Perdão.

Perdoar não quer dizer reconhecer simplesmente que a outra pessoa está certa ou que está errada. Ensina, ao invés disso, que existe uma outra maneira de olhar para o mundo. É muito útil se perguntar: “Quero ter razão ou quero ser feliz?” E já te adianto que, às vezes, você não consegue as duas coisas ao mesmo tempo. Mas uma coisa é certa: nós somos responsáveis pelos nossos sentimentos.

Podemos, sim, ser chamados de co-criadores. Co-criadores de nossas próprias vidas. Está aí uma dádiva muitas vezes entregue em outras mãos: viver!

Existem muitas maneiras de se definir o perdão, que é muitas coisas. É uma decisão, uma atitude, um processo e um modo de vida. É algo que nós oferecemos aos outros e, às vezes, algo que aceitamos. Perdoar é uma escolha de “ver a luz ao invés do abajur”, como escreveu o Dr. Gerald Jampolsky. O interessante é ver a luz que ilumina o íntimo de cada um.

Muitas vezes, as fronteiras entre o perdão e a fuga são subjetivas e você encontrará a verdade da questão sendo completamente honesto consigo mesmo. Veja qual é a verdade para os seus sentimentos mais profundos e escute o seu coração.

Há uma história que fala de um coelho e um leão. O leão proclamava-se o rei dos animais, mas o coelho tinha lá suas dúvidas e indagou o porquê disso. “Eu sou o rei dos animais” – disse o leão – “porque tenho poderes especiais”. O coelho pensou por um instante e concluiu: “Eu também tenho poderes especiais: sou pequeno, mas tenho o poder de entrar em tudo o que quero. Olhe minhas orelhas: veja como elas são pontudas” – e abanou a ponta das orelhas.

O leão olhou desconfiado. “Veja, vou te mostrar” – continuou o coelho e, de repente, saltou por cima do leão gritando: “Alto demais!”

O leão, espantado, voltou-se para ver onde o coelho tinha ido, mas, antes que pudesse compreender o que tinha acontecido, o coelho correu de volta por baixo dele e exclamou: “Baixo demais!”

Devagarinho, o coelho virou-se para olhar o leão de frente e abanou a ponta das orelhas. Então o leão começou a dizer: “Ah, agora eu consigo ver...” Mas, antes que pudesse dar um passo... o leão fugiu correndo.

Freqüentemente, escolhemos fugir de um problema em vez de encará-lo honestamente. Todavia, ao fazer esta escolha, privamo-nos da oportunidade de crescer e de aprofundar nosso auto-conhecimento. Uma das lições preciosas e simples, tão bem compartilhada no xamanismo, é seguir o caminho do coração, reconhecendo ser este o melhor caminho. Numa certa cultura africana, uma saudação é comumente feita com a palavra “Sawabona”. Este cumprimento significa literalmente: “Eu o vejo”.

Lembro-me também da saudação indiana “Namastê”, que significa “O Deus que está em mim saúda o Deus que está em você!” Ambas as práticas são chamadas pelo Dr. Gerald Jampolsky de sintonização “Pessoa-a-Pessoa”, que é quando você procura nos outros sinais de paz, gentileza e amor. Em outras palavras, ele explica que “nós procuramos a sua inocência e não a sua culpa. Nós os vemos com o nosso coração e não com noções preconcebidas”. E, como disse Goethe: “O que seria o mundo sem coração? Exatamente o mesmo que uma lanterna sem luz: Nada!”

O escritor e professor Hugh Prather diz que “O perdão não é algum ato fútil de florida auto-realização, mas sim o calmo reconhecimento de que, sob os nossos egos, somos todos exatamente iguais”.

Por favor, acompanhe o poema de Eva Pierrakos, descrito em seu livro “O Caminho da Autotransformação” falando do grande valor deste processo:

“Pelo caminho do sentimento da sua fraqueza está a sua força.
Pelo caminho do sentimento da sua dor está o seu prazer e alegria.
Pelo caminho do sentimento do seu medo está a sua segurança.
Pelo caminho do sentimento da sua solidão está a sua capacidade de realização, amor e companhia.
Pelo caminho do sentimento do seu desespero está a verdadeira e justificada esperança”.

Esta meditação remonta ao sentimento de amorosidade em sua vida, como Naomi Raiseller descreveu tão bem: “O amor não é mais e nem menos do que a expressão simples, honesta e natural da nossa totalidade, da nossa completa auto-aceitação. Mas, até podermos aceitar totalmente, sem julgamentos, tudo o que somos – nossos aparentes defeitos, assim como a nossa glória inata – o amor espera pacientemente por trás das frágeis ilusões do romance, ou então é confundido com um meio de troca e negociação, ou parece um vício e é vivido como uma necessidade constante.”

O perdão nos oferece a oportunidade de crescer e ir além dos arquétipos românticos limitados que fazem com que nos sintamos traídos e solitários. O perdão nos oferece maneiras de ser e de se relacionar que removem os obstáculos à presença do amor, carinho, amizade e devoção. Perdoar desperta uma disposição de trabalhar com tudo o que surge no relacionamento, porque nos capacita a nos relacionarmos com uma pessoa real e não com um ideal romântico.

Talvez você esteja cansado de perdoar: você não quer fazer isso de novo! Seja gentil consigo mesmo... Você tem o direito de estar cansado. Seja generoso consigo mesmo... Consiga apoio. Deixe que isso seja o certo, se for o que você sente neste momento. No entanto, saiba que continuar com raiva é muito mais exaustivo. Mesmo que o perdão tenha sido a coisa mais distante do seu pensamento, esteja disposto a abrir uma fresta para o perdão. E saiba que, a cada momento, você tem a oportunidade de escolher novamente o perdoar.

Olho novamente nos olhos da Esther me mostrando mais novidades artísticas e penso nas palavras de Pablo Casals sobre um questionamento abrangendo as crianças como elas são: “Quando irão ensinar às nossas crianças na escola o que elas realmente são? Nós devíamos dizer a cada uma delas: Você sabe quem você é? Você é uma maravilha! Você é única! No mundo inteiro não há ninguém como você. Em todos estes milhões de anos nunca houve uma criança como você. Olhe para o seu corpo: que maravilha! Suas pernas, seus braços, seus dedos hábeis, sua maneira de se mover! Você pode se tornar um Shakespeare, um Michelangelo, um Beethoven. Você pode se tornar qualquer coisa. Sim, você é uma maravilha!!!” – comprovando as palavras do poeta Rabidranath Tagore, que afirmou: “Cada criança recém-nascida traz a mensagem de que Deus não perdeu sua confiança no homem.”

Concluímos que todos nós somos uma forma de Deus se manifestar...

Como disse Sanat Khum Maat: “Permita que as fibras do perdão possam se espalhar numa linda abertura do coração. E seja leal a seus valores espirituais! Sejam iniciados do Amor!” Realizando uma verdadeira alquimia amorosa, desenvolvendo um amor profundo.

Sim! Existem momentos em que perdôo a todos nós. E é preciosamente nestes momentos que eu sei que o que acontece no lado de fora é secundário, e o que acontece do lado de dentro, como pude reconhecer, “é o verdadeiro show”. Nestes momentos eu confio. Acredito que as coisas acontecem como devem acontecer, como precisam acontecer, para o meu desenvolvimento espiritual. Dentro desta compreensão, ninguém é culpado e ninguém precisa ser perdoado.

Paz, Luz e Amor!


PARE E PENSE


- Robin Casarjian -


Se você está guardando rancor e raiva em relação ao seu parceiro, pare e pense para saber se não está tendo nenhum ganho secundário.
Repare nas suas respostas às seguintes questões com uma consciência gentil, sem julgamentos:
Guardar rancores é uma maneira de provar que você está certo?
Continuar zangado é uma maneira de reforçar o fato de que o seu parceiro não merece ser amado?
Guardar rancor é uma maneira de controlar a situação?
Ou é uma maneira de manter uma ilusão de controle?
Guardar rancor é uma maneira de evitar a intimidade?
Ou é uma maneira de evitar sentimentos mais profundos de tristeza, desespero, dor, abandono e rejeição?
É uma maneira de ser ouvido?
É uma maneira de segurar ou de liberar?
É uma maneira de punir e de reagir?
É uma maneira de manter a posição de que o problema é do seu parceiro?
É uma maneira de manter a vida como ela é e evitar um grau de clareza que pode arriscar causar a mudança de que você tem medo?


Referências:
Amar é Libertar-se do Medo – Gerald Jampolsky – Ed. Fundação Peirópolis;
O Livro do Perdão – Robin Casarjian – Rocco;
Goodbye to Guilt – Gerald Jampolsky – Bantam Books.Você encontrará onze lições traduzidas deste livro no endereço eletrônico: www.cca.org.br/vivcuraatitudes_aculpa.html;
Perdão – A cura para todos os males – Gerald Jampolsky – Cultrix;
O Caminho da Autotransformação – Eva Pierrakos – Cultrix.


Samuel Souza de Paula, espiritualista, consultor e palestrante. Coordenador da Roda de Cura Xamânica “Espírito de Gaia”. É estudioso do comportamento humano e desenvolve trabalhos de integração entre corpo, mente e espírito. Facilitador do curso Valores da Cultura Indígena na UMAPAZ - Universidade Aberta do Meio Ambiente e da Cultura de Paz. Pesquisador de técnicas ancestrais e modernas direcionadas ao crescimento pessoal. Possui formação Master em PNL – Programação Neurolingüística. É participante de Danças Xamânicas pela Paz, Danças Circulares Sagradas e de Grupos de Estudos e Assistência Espiritual.


(Texto extraído da apostila do curso “Resgate de Alma” – Práticas Bioxamânicas.)